terça-feira, 2 de julho de 2013

Intolerância






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Tenho medo dos templos e seus soldados.
E eu temo a fé cega da multidão.
Tenho medo dos hinos e homilias,
as hóstias, batismo e louvação.

Tenho medo de padre, pastor, rebanho.
De dízimo e salmos, de vinho e pão.
Tenho medo do altar e o que dele brada.
Pecado e cruz, catequização.

Tenho medo de infernos e paraíso.
Dos cultos e missas e do juízo.
Eu temo se está em todo lugar.
Na TV, em Brasília e dentro do lar.

Tenho medo dos dogmas e milagres
Eu temo a Palavra e quem a escreveu.
Eu temo a Verdade e o Caminho.
Eu temo a opressão do Reino de Deus.

Tenho medo do grito da intolerância
Daquele que julga o que não entende.
E eu temo a sagrada ignorância
E o devoto que, a santa fogueira, acende.

Tenho medo se um dia se convergirem
As vozes em única oração.
E eu temo o dia em que só se ouvirem
Os versos de apenas uma canção.



Anderson Lobo
(aprendiz de domador de palavras)

sábado, 12 de janeiro de 2013

Poeira



Fragmento no olho do furacão.
Pequenino ponto cheio de alguma vida.
Bem mais que corpo inerte.
Coração no centro de um peito torpe.
Movimento,
sentimento,
sofrimento.
Unha e dente,
busca de alimento.
Armadura da alma.
Invólucro sagrado forjado pelo imenso.
Calor mantendo o que é vida.
Contendo carne.
Proteção ínfima.
Veias,
artérias,
impulsos nervosos,
pensamento.
Umbigo do mundo.

Fragmento no olho do imenso.
Pequenina carne cheia de algum furacão. 
Pensamento cheio de calor.
Unha que busca o peito.
Contendo alma.
Movimento, artérias, veias.
Armadura da vida
Invólucro ínfimo forjado pelo mundo.
Umbigo do sagrado.

Proteção contendo vida.


Anderson Lobo