terça-feira, 2 de julho de 2013

Intolerância






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Tenho medo dos templos e seus soldados.
E eu temo a fé cega da multidão.
Tenho medo dos hinos e homilias,
as hóstias, batismo e louvação.

Tenho medo de padre, pastor, rebanho.
De dízimo e salmos, de vinho e pão.
Tenho medo do altar e o que dele brada.
Pecado e cruz, catequização.

Tenho medo de infernos e paraíso.
Dos cultos e missas e do juízo.
Eu temo se está em todo lugar.
Na TV, em Brasília e dentro do lar.

Tenho medo dos dogmas e milagres
Eu temo a Palavra e quem a escreveu.
Eu temo a Verdade e o Caminho.
Eu temo a opressão do Reino de Deus.

Tenho medo do grito da intolerância
Daquele que julga o que não entende.
E eu temo a sagrada ignorância
E o devoto que, a santa fogueira, acende.

Tenho medo se um dia se convergirem
As vozes em única oração.
E eu temo o dia em que só se ouvirem
Os versos de apenas uma canção.



Anderson Lobo
(aprendiz de domador de palavras)