sexta-feira, 4 de março de 2011

O Menino e o Monge


O monge meditava, sob a sombra umbrosa de uma árvore, em lugar calmo e suficientemente distante de qualquer aglomeração humana. Passava bem perto dali o menino que, ao vê-lo, parou curioso. O pequeno, então, repousou sua vara de pescar no chão e foi se esconder atrás de um arbusto, de onde podia observar o monge.

Na posição de iogue, os olhos fechados, o monge trazia semblante sereno e as mãos em formato de concha, repousadas sobre as pernas. Imóvel, parecia estar profundamente concentrado, como que impassível e ao mesmo tempo em comunhão com a paisagem bucólica que o rodeava.

Coçando a cabeça, o menino sorriu. Ouvira algo sobre aquele tipo de gente, mas nunca tinha visto tão de perto. Como podia, aquele homem, ficar naquela posição sem se mexer? E, principalmente, por que?

Então o menino sentiu fascínio por figura que lhe era tão estranha. Cautelosamente, saiu detrás do arbusto e, andando calmamente, se aproximou do monge. Ficou estático por algum tempo com o olhar fixo no rosto do sério homem. Levou uma mão à boca para abafar o som de um risinho.

Enquanto isso, o monge continuava absorto, respirando lentamente, como se não tivesse, sequer, percebido a sua presença.

“Será que está dormindo sentado?”, perguntou o menino para si, se aproximando ainda mais. A apenas alguns passos, percebeu que se tratava de homem maduro, em cujo rosto se delineavam algumas rugas.

“Não, não parece estar dormindo... mas está pensando em que?”, o menino ficou bem perto do monge. Então, uma ideia aparentemente brilhante lhe veio à mente e, imediatamente, a pôs em ação. Com algazarra, começou a pular e a gritar como um macaco. Também dançou, como tinha visto um homem fazer uma vez.

Em seguida, bem perto do monge, fez uma careta ruidosa, a mais feia que conseguiu. O monge, contudo, continuou estático, ignorando todos seus gracejos.

Com algo de decepção em sua expressão, o menino ficou novamente quieto. “Acho que quando crescer, quero ser um homem assim...”, pensou subitamente abrindo grande sorrindo. Então, após recolher sua pequena vara de pescar do chão, retomou seu caminho assoviando uma entusiasmada canção.

E quando o menino havia ido, o monge sorriu. “Ainda me torno um menino assim...”

Anderson Lobo
(apaixonado e ponto)

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